
PSD de Santa Cruz devia
‘negociar mais’ com a oposição
Regional
O dirigente do movimento independente de cidadãos “Juntos Pelo Povo” referiu ao Diário Cidade que o executivo camarário de Santa Cruz, liderado por José Alberto Gonçalves, deveria ter uma “maior postura negocial” com a oposição.
O movimento independente de cidadãos “Juntos Pelo Povo (JPP)” foi a grande revelação das últimas eleições autárquicas, devido ao facto de ter conseguido eleger três vereadores para a Câmara Municipal de Santa Cruz e, assim, ter terminado com as maiorias absolutas que o PSD detinha, desde 2001, nos onze municípios da Região. Com efeito, a referida força política, liderada por Filipe Sousa, obteve 32% dos votos contra os 41,9% alcançados pelo PSD, ficando o município de Santa Cruz com três mandatos do PSD, três do JPP e um do PS. O movimento conseguiu também ganhar a presidência da Junta de Freguesia de Gaula.
Em declarações ao Diário Cidade, Filipe Sousa referiu que ainda é “muito prematuro” para se fazer um balanço destes primeiros dois meses “de mudança” em Santa Cruz. Porém, “nas reuniões camarárias tem havido um enorme sentido de responsabilidade de todas as forças políticas representadas, facto que tem contribuído para que algumas propostas tenham sido aceites pelo PSD de Santa Cruz”, apontou. Desta forma, o líder do JPP considera que a “nova conjuntura” é “amplamente benéfica” para os interesses da população. “Tendo em conta que o nosso programa eleitoral era completamente antagónico ao apresentado pelo PSD, o JPP aos poucos vai tentando fazer aprovar algumas propostas que consideramos que são indispensáveis aos habitantes de Santa Cruz”, defendeu.
Filipe Sousa disse, ainda, que o JPP constitui uma força de oposição saudável, uma vez que tem como objectivo contribuir para o desenvolvimento do município santacruzense. “O concelho sofreu um atraso nos últimos quatro anos, mas com a nossa intervenção – e também do PS – o desenvolvimento de Santa Cruz será uma realidade nos próximos tempos”, afirmou. O dirigente do movimento independente de cidadãos referiu, igualmente, que o PSD deveria de ter uma “maior postura negocial” com a oposição, tendo em vista a obtenção dos interesses da população de Santa Cruz. “Seria uma atitude coerente o PSD partir para uma negociação directa com a oposição, no sentido de se ir ao encontro das propostas apresentadas, as quais são amplamente benéficas para os munícipes. Todavia, não me sinto diminuído pelo facto do JPP não ter nenhum pelouro na Câmara Municipal de Santa Cruz, porque o nosso trabalho, embora com outras competências, é exercido com muito sentido de responsabilidade”, frisou.
Filipe Sousa afirmou, ainda, que não equaciona a hipótese de fazer qualquer coligação com as outras forças partidárias representadas na autarquia santacruzense. “Entendo as coligações como sendo defensoras dos interesses partidários, situação que não se adapta ao nosso grupo de cidadãos. O nosso principal objectivo é unir as pessoas num sentido comum, que é o bem-estar da população das freguesias do concelho de Santa Cruz”, sustentou.
O líder do JPP anunciou, também, que esta força política pretende reforçar a sua presença. “Dentro em breve vamos criar a Associação Juntos Pelo Povo, no sentido de se criar uma certa organização interna do próprio movimento. Desta forma, vamos desenvolver um conjunto de iniciativas em Santa Cruz, as quais, possivelmente, vão ser alargadas a outros concelhos da Região. Queremos que o povo sinta que o exercício da política e do poder local não se esgota nos partidos”, argumentou.
Gaula está a ser discriminada
O facto da presidência da Junta de Freguesia de Gaula ser exercida pelo movimento de cidadãos JPP tem feito, na opinião de Filipe Sousa, com que aquela localidade esteja a ser discriminada pelo PSD e pelo Governo Regional. O líder do JPP deu como exemplo desta discriminação o adiamento de algumas obras consideradas importantes para o desenvolvimento da freguesia de Gaula, nomeadamente a estrada Lajes-Fazenda, Achada Rocha. “Penso que
estas situações acontecem não pela força que o PSD tem em Santa Cruz, mas sim pela imposição colocada pelo Governo Regional. Facto que me leva a criticar fortemente o executivo social-democrata da autarquia de Santa Cruz, porque não tem voz activa e sente-se diminuído perante as pressões exercidas pelo PSD regional no âmbito dos contratosprograma”,
concluiu.
J.T. Diário Cidade, 13 de Janeiro de 2010