“O novo presidente da Junta de Freguesia de Gaula, Élvio Sousa, já pediu uma reunião ao presidente da Casa do Povo de Gaula, Manuel Vieira, para apurar as razões pelas quais este ordenou a transferência desta Junta de Freguesia, do Centro Cívico de Gaula (onde o presidente tinha um gabinete próprio, existiam WC’s e uma sala para as reuniões da Assembleia Municipal) para outra bastante mais pequena. A nova sede, um edifício antigo de dois andares, onde apenas o primeiro serve de sede à Junta de Freguesia local, conhecida pela ‘Venda de João de Matos’, também é gerida pela Casa do Povo, mas não tem, para Élvio Sousa, condições de privacidade para a população discutir os seus problemas.
O novo autarca, que tomou posse na passada segunda-feira, afirmou desde logo que esta situação representa “uma falta de respeito para com a população de Gaula”. “As pessoas já chamam ao Centro Cívico de ‘casa dos ricos’ e a este edifício de ‘casa dos pobres’. Isto é dificultar o nosso trabalho desde o início”. Por causa da privacidade, os munícipes preferem reunir-se com o presidente após o expediente.
O novo autarca diz também que o novo edifício, cujo rés-do-chão serve de armazém para a Casa do Povo, não tem um espaço onde os munícipes possam aguardar pelo atendimento, não foi pensado para receber deficientes motores e não possui WC.
Questionado se interpreta esta alteração como uma retaliação pelo JPP ter vencido as eleições em Gaula, o novo autarca não faz essa relação. “O anterior presidente da Junta tem de vir explicar à população as razões desta mudança porque ele é o responsável pelo património na freguesia”.
Ao DIÁRIO, Miguel Branco, chefe de Gabinete de Manuel António Correia, afirma que em “Junho de 2005 foi celebrado um protocolo cedendo à Câmara Municipal de Santa Cruz e à Casa do Povo de Gaula o uso e a gestão do Centro Cívico, razão pela qual a secretaria é alheia à gestão do espaço desde essa data”.
Antigo autarca desvaloriza
A mesma informação é confirmada pelo ex-presidente da Junta de Freguesia de Gaula, Gustavo Caires, candidato derrotado nas últimas eleições, que ainda era presidente quando a transferência ocorreu. “A Casa do Povo é que é a entidade gestora daquele espaço e foram eles que tomaram essa decisão. Nós respeitámos essa decisão porque estamos ali de forma provisória e gratuita”.
O anterior autarca desvaloriza mesmo a falta de condições. Diz que as funcionárias têm melhores condições de trabalho, que a população agora sobe menos degraus e que há WC’s a 20 metros da Junta. Após a transferência, os espaços que a Junta de Freguesia ocupava no Centro Cívico ficaram vazios.
O DIÁRIO quis ouvir o presidente da Casa do Povo de Gaula, Manuel Vieira, mas este, após ter começado por assumir que não dava entrevistas por telefone, recusou encontrar-se pessoalmente com o jornalista. Em seguida, de forma extemporânea, Manuel Vieira respondeu que já não estaria interessado em falar com este matutino. “Vai ser melhor não haver reunião nenhuma. É melhor nem sequer aparecer” e desligou o telefone. Não foi possível perceber quando se irá realizar a reunião.”
Marco Freitas, in DN – ed. de 6-11-2009 | foto: DN.