“A política na Região parece cada vez mais um pântano que exala miasmas que sufocam a vida democrática e fazem apodrecer os tecidos vivos que persistem em manter-se, contra ventos e marés, nesta terra onde sapos e rãs fazem lei.
Não há dia que se passe sem que novos fenómenos de apodrecimento da democracia No Partido maioritário “a única pessoa importante” impõe, recorrendo a cada vez menos disfarces, a sua vontade absoluta, jogando com as pessoas, considerando que todas elas são criações suas que só têm valor e que, em última análise, só existem políticamente porque ele o quis.
O caso de Sérgio Marques é o último de vários deles. Um deputado com trabalho feito no Parlamento Europeu, independentemento das apreciações políticas que se possam fazer, vê o seu lugar negociado pela “única pessoa importante” e é relegado para 8.º lugar, lugar de não eleição.
Mais grave ainda só sabe deste facto pelo Diário, o que revela que no PSD/M não existe nenhuma Democracia.
Mostrando que tem coluna vertebral bate com a porta e diz não a tamanha prepotência. Mas como seria de esperar logo aparece alguém a correr para ocupar o lugar dourado de candidato a eurodeputado.
Mais grave ainda foi a revelação do deputado Guilherme Silva. Segundo ele, Sérgio Marques não corria o risco de não ser eleito porque já estava feita a “aldrabice” de violar a lei da paridade – na lista as mulheres ocupam o lugar a que a lei obriga, mas uma vez eleitas não ocupariam o lugar no Parlamento.
Assim se enganam as eleitoras com um Partido chefiado por uma mulher, a Dr. Manuela. É por estas que a política fede como um pântano.
Mas o problema desta Terra é que o autoritarismo da “única pessoa importante” é copiado por outras pessoas que se julgam importantes.
Em lugar de fazerem diferente, tentam copiar. Mas as cópias são sempre pior que o original.
No maior Partido de Oposição, em lugar de haver a afirmação duma alternativa que ganhe forças para combater o pantanal laranja, cresce também o pantanal.
Um líder que se dizia humilde e de transição quer persistir seguindo a política do eucalipto. Lançou uma cruzada contra quem não o segue religiosamente, demite sem apresentar públicamente razões fortes e aproveita para promover os seus fiéis do grupo “Novo PS”.
Estas atitudes fartam até as pessoas de boa vontade. O último foi o Deputado André Escórcio que assumiu a liderança do Grupo Parlamentar para defender o PS mas que não aguentou este clima de perseguição a todos os que não estão com o chefe.
Demitiu-se mostrando coragem de dizer basta ao pântano em que mergulhou o PS.
O curioso é que os blogs de pessoas do PSD/M estão cheios de elogios à chefia do PS/M. Até se compreende – com este PS, o PSD pode cometer erros à vontade que não é penalizado.
Mas o pantanal não conspurca apenas a política maioritária.
Se há algo de novo e interessante que surgiu nos ùltimos tempos foi o Movimento de Cidadãos que começou em Gaula e que agora vai alargar-se a Santa Cruz.
Pode ser uma pedrada no charco deste pantanal político regional.
O Bloco de Esquerda disponibilizou-se para apoiar este movimento porque, como se viu em Gaula, todos os votos contam para derrotar a gestão ruinosa e antidemocrática do PSD em Santa Cruz.
Como reage o CDS/PP? Lendo o Blog “Cortar à direita” vê-se que esse Partido quer, como sempre fez em coligações, instrumentalizar esse movimento de cidadãos.
Como lá é dito foi decidido no Congresso exigir que o 2.º candidato à Câmara, o cabeça de Lista à AM e o cabeça de lista à AF do Caniço sejam do CDS e pasme-se exigir que o movimento de cidadãos “excomunge” o apoio do Bloco de Esquerda.
Agora compreende-se o porquê do CDS intitular-se como o ùnico que está com os cidadãos – para melhor tentar manipulá-los em proveito próprio.
Por estas e por outras é que este pantâno afasta os cidadãos da política.”
Paulo Martins, Diário de Notícias – Madeira, 20/04/2009.