“A maioria dos 33 movimentos independentes a votos nas autárquicas é encabeçada por figuras que noutros sufrágios candidataram-se filiadas num partido, gerando dessa forma dois tipos de movimentos independentes a votos. Actualmente existem sete câmaras municipais lideradas por autarcas eleitos no último sufrágio através de candidaturas independentes. Isaltino Morais (Oeiras), Fátima Felgueiras (Felgueiras) e Valentim Loureiro (Gondomar) são alguns dos nomes mais mediáticos, todos ex-autarcas por partidos políticos e recandidatos nas eleições deste ano.
No fundo, são candidatos que se apresentam como “independentes”, na medida em que já não têm o suporte de uma máquina partidária, mas têm um passado político bem identificado. Para o politólogo Carlos Jalali, existem dois tipos de movimentos independentes a sufrágio, os “verdadeiramente independentes”, compostos por pessoas “sem filiação partidária no passado”, e um segundo tipo, encabeçado por figuras, “umas mais mediáticas que outras”, outrora ligadas a aparelhos políticos.
Alfredo Barroso, autarca de Redondo, no distrito de Évora, dirige o município desde 1983, primeiro pela CDU, mas depois, em 2005, foi reeleito pelo Movimento Independente do Concelho de Redondo (MICRE), depois do PCP lhe ter retirado confiança política. Recandidato nas autárquicas deste ano, Alfredo Barroso sublinha que a sua candidatura surgiu “de baixo para cima”, incentivado pelos habitantes locais, situação, reconhece, “que poderá não ser a mais comum” nos movimentos independentes a votos por todo o país. O autarca refere que o seu abandono do PCP permitiu-lhe defender “apenas o mais importante para o concelho”, reconhecendo que, por vezes, existiram “estratégias partidárias superiores” na sua governação enquanto eleito pelos comunistas.
De acordo com a lei eleitoral em vigor, as listas para a eleição dos órgãos das autarquias locais podem ser apresentadas por três entidades proponentes: “partidos políticos, coligações de partidos políticos constituídas para fins eleitorais e grupos de cidadãos eleitores”.
Em Mourão, também no distrito de Évora, o funcionário público Manuel Rosado lidera o movimento Cidadãos Independentes pelo Concelho de Mourão (CICM), que tentará ganhar a Câmara ao socialista José Santinha Lopes. Manuel Rosado, que nunca antes concorreu a cargos autárquicos, definiu como “fundamental” a existência de movimentos como o CICM, constituídos por pessoas “da terra, para pessoas da terra”.
Já no município de Santa Cruz, na Madeira, Filipe Sousa, cabeça-de-lista do movimento “Juntos Pelo Povo”, único de cariz independente a votos na região autónoma, defende que candidaturas independentes, “logo com maior liberdade do que as partidárias”, constituem a “essência” do “verdadeiro” poder local. Filipe Sousa, antigo presidente de uma junta de freguesia local, expulso do PS/M por divergências com a actual direcção, refere ainda que os autarcas do poder local “têm de esquecer os interesses partidários” e “quando tal não sucede”, adverte, “quem perde são os cidadãos”.
Amadora, Figueira da Foz, Alandroal, Valongo, Beja, Faro, Marinha Grande, Matosinhos, Coruche e Tomar são outros exemplos de concelhos com movimentos independentes a votos nas eleições autárquicas deste ano, a decorrer a 11 de Outubro.
Mulheres triplicam
O número de mulheres eleitas para as autarquias triplicou nos últimos 30 anos, havendo actualmente 20 presidentes de Câmara em 308 concelhos do país, que se recandidatam às próximas autárquicas entre mais de uma centena de candidatas. Em 308 Câmaras só 20 são presididas por mulheres – sete PSD e duas coligações PSD/CDS-PP, cinco PS, quatro CDU, uma BE e uma independente. Setúbal é o distrito com mais autarcas do sexo feminino.
A 11 de Outubro vão candidatar-se 120 mulheres a presidentes de Câmara, entre elas as 20 actuais dos concelhos de Vila de Rei (PSD), Vila Velha de Ródão (PS), Miranda do Corvo (PSD/PP), Silves (PSD), Leiria (PSD), Odivelas (PS), Vila Franca de Xira (PS), Nisa (CDU), Felgueiras (independente), Salvaterra de Magos (BE), Almada (CDU), Montijo (PS), Palmela (CDU), Caminha (PSD), Castro Daire (PSD), Nelas (PSD/PP), Lajes do Pico (PSD), Ponta Delgada, Vila do Porto (PS) e Setúbal (CDU).
167 mil boletins enviados para os emigrantes
Cerca de 167 mil boletins de voto para as eleições legislativas começam terça-feira a ser enviados para os emigrantes portugueses, num processo que dura 50 dias e no qual os boletins não reclamados superam, em regra, os votos. Segundo a Direcção-Geral da Administração Interna (DGAI), a partir de terça-feira serão enviados 72.527 boletins de voto para os emigrantes na Europa e 94.471 para Fora da Europa, que votam por carta para as legislativas de 27 de Setembro.
Os emigrantes votam por correspondência para as eleições legislativas e participam presencialmente nos escrutínios para o Presidente da República, Parlamento Europeu, e Conselho das Comunidades Portuguesas. Não votam nas autárquicas. A votação por correspondência arranca entre 30 e 40 dias antes da data das eleições, quando a área eleitoral da DGAI começa a enviar por correio os boletins de voto, e termina 10 dias depois com o apuramento dos votos. Além do boletim de voto, são enviados em carta registada um envelope branco endereçado aos serviços da DGAI, um subscrito verde para inserir o boletim e uma folha de instruções, devendo os eleitores remeter com o voto uma fotocópia do cartão de eleitor.
Nas últimas eleições legislativas (2005), em que votaram cerca de 36 mil dos 148 mil emigrantes inscritos, foram gastos no processo mais de 470 mil euros, segundo a DGAI. Os mesmos dados revelam que, nestas eleições foram devolvidos 40.186 boletins, 19.774 dos quais pela segunda vez, maioritariamente por não terem sido reclamados ou por o destinatário já não habitar no endereço indicado. Depois de duas devoluções consecutivas, o envio de boletins é suspenso, mas os emigrantes continuam a poder votar nas eleições em que o escrutínio é presencial.”
in DN – ed. de 31.8.2009.














