“Madrugada de 25 de Abril de 1974, parada da escola Prática de Cavalaria, em Santarém: O Capitão Salgueiro Maia de forma serena mas firme, profere as seguintes palavras: “Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos. De maneira que quem quiser, vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui”. As fontes históricas narram que todos os soldados formaram à sua frente. Depois seguiram para Lisboa e marcharam sobre a ditadura.
Passados que foram três décadas e meia, do 25 de Abril de 74, o grande objectivo: DESENVOLVER, está por realizar. Não esqueçamos que foi a Revolução que criou as condições imprescindíveis para se conseguir o pleno desenvolvimento económico e cultural da sociedade portuguesa. O que eu lamento é a indiferença histórica e a insensibilidade cultural, ao não comemorar nos lugares próprios este acontecimento tão importante, que em poucas palavras: restabeleceu as LIBERDADES INDIVIDUAIS a DEMOCRACIA e acabou com a GUERRA COLONIAL.
Então, não são motivos suficientes para se comemorar o DIA DA LIBERDADE na casa da democracia que é o Parlamento ???… o estado a que isto chegou ! O regime (sei lá o que chamam a isto…) “demo-auto-crático” aqui na Região Autónoma da Madeira, com estas (im)posições está a dar uma péssima imagem de tolerância às gerações jovens. O que dizer a um professor, por exemplo, que pede aos seus alunos que façam um trabalho teórico-prático sobre o 25 de Abril e… os alunos a dada altura questionam sobre o porquê da “não comemoração no Parlamento Regional”, QUE RESPOSTAS A DAR? Digam lá, Srs. deputados da maioria em representação do POVO??? Num regime de democracia representativa, O POVO É QUEM MAIS ORDENA! Nunca esqueçam!!!
Tal como afirmava Salgueiro Maia, “…vamos acabar com o estado a que chegámos” para que possamos sentir com entusiasmo o 25 de Abril, as memórias desse dia glorioso que representou uma mudança decisiva na História de Portugal e abriu caminho a mudanças muito profundas na vida dos portugueses.
O escritor alemão Bertold Brecht, dizia: “Há homens que lutam um dia e são bons. Há outros que lutam um ano e são melhores. Há outros, ainda, que lutam muitos anos e são muito bons. Há, porém, os que lutam toda a vida, estes são imprescindíveis”.
Salgueiro Maia, foi um desses homens.
Por Abril, SEMPRE !…”
Carlos Costa - Diário de Notícias – Madeira, Funchal, 24 de Abril de 2009.